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Mostrando postagens de maio, 2016

Falando interiorana

Em cidade pequena as notícias arrastam, nunca se alastram, elas andam, caminham, mas, como a sertaneja que migra resistente, dura, e, se você tem uma história numa cidade pequena, se sua vida é no interior mineiro, então devia saber que a pobre Joaninha não deveria ter fugido daquela maneira abrupta sem que, pelas próximas três gerações, sua história fosse recontada. Então, interiorana, viva sua vida quieta, não queime os jantares, satisfaça o marido, e seja alguém cuja história se apagará num caixão. A todas as interioranas, a vida viu-se pacata e imortal até o momento implícito em que acordam cedo, quase madrugada, o marido quer café pela manhã, e o almoço tem que ser preparado para a escola das crianças. Ah!, a mulher interiorana, é o preço que se paga pra ter um cheque próprio, com seu nome próprio, e por seu próprio mérito. Ensinar é o que há, ensinar aquelas crianças todas, crianças tolas, mas crianças que deviam aprender a deixar de ser tolas. Mulher interiorana, ah, ...

O espaço de uma carta

  Olá estranho,    Sabe, em algum momento de minha vida uma professora de português usou seu tempo para me ensinar sobre como escrever uma carta. E eu me lembro vagamente da necessidade que a regra impunha de se saltar linhas específicas. Todas as línguas, como qualquer um que já tenha se aventurado, mesmo que pouco, na área pode ter percebido tem suas peculiaridades. E uma que me é mais estranha é a imposição de que linhas sejam saltadas ao se escrever uma carta.    Isso talvez seja peculiar por uma série de motivos que talvez lhe estejam perpassando a cabeça, o prmeiro irremediavelmente é:     1-) Ninguém mais escreve cartas, E você está plenamente certo. E eu não serei hipócrita de admitir que o faço, quando nunca, mas nunca mesmo, escrevi uma carta, ainda que tenha sido uma importantantíssima forma de comunicaçãopor séculos na história humana e eu as ache muito poético, ser poético por si só não faz ninguém que eu conheça ter o ânimo nece...

Introduzindo brevemente

    Eu não sei quais razões me compelem a escrever. Sequer sei como decido as palavras que quero alinhar. Eu comecei a escrever quando aprendi a escrever e é tudo que sei falar sobre o assunto. Filosofia nunca foi meu forte.    Quando eu tinha uns dez anos, um escritor de quadrinhos esteve em minha escola para nos falar que desenhar não é uma habilidade com a qual você nasce, mas uma que você desenvolve por interesse próprio. Talvez seja assim com a escrita.     E talvez algo que algumas pessoas entendam errado sobre todo o processo de escrever é que não envolve soomente um momento de epifania ou inspiração divina e, quando eles não existem, entra em ação o temível bloqueio artístico. O bom autor pode passar horas revendo seu texto, encontrando a palavra certa, e por isso eu provavelmente sou bem mediana, pois fluidez e rapidez tem se tornado constantes amigas a meu contragosto.     Olha, eu não sei porque escrevo, eu não faço ideia d...