Falando interiorana
Em cidade pequena as notícias arrastam, nunca se alastram, elas andam, caminham, mas, como a sertaneja que migra resistente, dura, e, se você tem uma história numa cidade pequena, se sua vida é no interior mineiro, então devia saber que a pobre Joaninha não deveria ter fugido daquela maneira abrupta sem que, pelas próximas três gerações, sua história fosse recontada. Então, interiorana, viva sua vida quieta, não queime os jantares, satisfaça o marido, e seja alguém cuja história se apagará num caixão. A todas as interioranas, a vida viu-se pacata e imortal até o momento implícito em que acordam cedo, quase madrugada, o marido quer café pela manhã, e o almoço tem que ser preparado para a escola das crianças. Ah!, a mulher interiorana, é o preço que se paga pra ter um cheque próprio, com seu nome próprio, e por seu próprio mérito. Ensinar é o que há, ensinar aquelas crianças todas, crianças tolas, mas crianças que deviam aprender a deixar de ser tolas. Mulher interiorana, ah, ...