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Mostrando postagens de setembro, 2016

O crush (querida)

Querida. Ele me chamou de querida. Querida como a  paroxítona da língua portuguesa cujas sílabas três podem ser divididas em QUE-RI-DA.   Querida como a palavra falada para uma menina de 5 anos com olhinhos pidões. Querida como o pronome de tratamento daqueles bem anos 4o. ( A dona de casa que passou o dia num suicídio social numa cozinha miserável com inovações tecnológicas que aprisionam, bem no declínio dos 40, com filhos para cuidar e o marido insatisfeito chega em casa todo ideias que não faz nada a esposa e , querendo jantar, requere no implícito: Querida, cheguei. Enquanto ela responde por inércia que está pronta a janta.) Querida como aquilo que lhe diz o geriatra quando é você a paciente. Querida como o semi-pronome irônico enraizado no vocabulário feminino quando a confabular com desgosto com alguém que desgostam, maximizado em seu ódio pela versão sufi...