Arraial

A chuva caía como se fosse uma cortina infinita e não tinha sombrinha que impedisse a água encharcando meus pés. A cidade foi feita pra ser vista assim, mas eu estou muito molhada pra ligar. É tão difícil, você pode me culpar por estar querendo um pouco mais que isso dos seus asfaltos quentes hoje? É tão difícil assim pra você me amar mesmo que eu esqueça o nome das suas ruas e me perca no seu meio denso e quadrado? É pedir muito que você me olhe com mais carinho e que eu te ame com mais cuidado? Que eu consiga andar por aí sem você com medo de me quebrar? Andar por aí sem o peso todo morto das suas paredes? Eu não vejo a lua já tem uns três meses. Eu preciso de hidratantes e colírios e sprays nasais porque você não é delicado comigo. Você tem um barulho silencioso que enche todo o mundo de ruídos de noite e tem dias que, quando eu percebo o que está acontecendo, você me assusta com seus batuques. Me assusta com sua vida borbulhante 30 metros abaixo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desculpe se eu perdi sua festa (um poeminha autoral)

Enfim...